Foto: Google Street View (Reprodução)
A juíza de Direito Bruna Faccin Beust Minuzzi, da Comarca de Agudo, manifestou-se sobre a situação dos dois irmãos acolhidos institucionalmente em um abrigo e que estavam sob acompanhamento judicial quando a menina, de 3 anos, morreu após um afogamento registrado na tarde de quinta-feira (12), no Balneário Drews, localizado na comunidade de Linha Boêmia, no interior de Agudo.
Segundo a magistrada, as crianças foram acolhidas no fim do ano passado por estarem em “situação de extremo risco”. Ela ressaltou que o acolhimento institucional é medida excepcional, aplicada apenas quando não há alternativa familiar imediata.
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De acordo com a juíza, a mãe das crianças havia sido presa mais de uma vez e, no momento do acolhimento, encontrava-se novamente no sistema prisional. O pai, até então, não havia registrado os filhos, o que fazia com que as crianças não tivessem pai registral naquele momento. Também não havia familiares extensos aptos a assumir a guarda, o que levou ao encaminhamento ao abrigo.
No decorrer do processo judicial, o genitor realizou o registro civil dos dois filhos e passou a pleitear a guarda provisória. Conforme explicou a magistrada, o pedido estava em análise, aguardando a conclusão de estudo social e avaliação psicológica para verificar a viabilidade do retorno das crianças ao convívio paterno.
- Como é de hábito nos processos de acolhimento, é necessária uma análise social e psicológica antes de qualquer decisão sobre guarda - destaca.
A juíza afirma que, antes mesmo da conclusão dessa avaliação, ocorreu a fatalidade.
Nesta sexta-feira (13), o irmão da vítima foi autorizado a deixar o abrigo para participar da despedida da irmã, na companhia do pai.
Sobre as circunstâncias do afogamento, a magistrada informou que ainda não teve acesso aos detalhes do ocorrido e que o caso está sendo apurado pela Polícia Civil. Ela ressaltou que o abrigo costuma promover atividades externas com as crianças, incluindo idas ao balneário durante o verão, mas afirmou não ter conhecimento sobre como os fatos se desenrolaram naquele momento. O caso ainda não havia chegado formalmente ao Judiciário até a manifestação.
Em relação à informação de que a família tentava reverter a guarda há cerca de seis meses, a juíza confirmou que, após tomar conhecimento do acolhimento, o pai registrou os filhos e ingressou com pedido judicial de guarda provisória, o qual seguia em tramitação regular.
Relembre o caso
A criança de 3 anos morreu após um afogamento registrado por volta do meio-dia de quinta-feira (12), no Balneário Drews, na localidade de Linha Boêmia, no interior do município.
Conforme as informações iniciais, a criança estava acompanhada por responsáveis do abrigo quando houve o desaparecimento momentâneo. Minutos depois, ela foi localizada dentro de uma das piscinas do local. Pessoas que estavam no balneário retiraram a menina da água e iniciaram os primeiros socorros até a chegada do Samu.
A vítima foi encaminhada ao Hospital de Agudo, onde recebeu atendimento médico, mas morreu pouco depois. O caso mobilizou equipes de emergência e será investigado pelas autoridades para apurar as circunstâncias do afogamento.
Manifestação do balneário
O Camping Balneário Drews também se manifestou por meio das redes sociais.
Em nota, a direção afirmou que toda a equipe se solidariza com familiares e amigos da vítima. O balneário informou que, assim que a situação foi identificada, foram prestados os primeiros socorros no local e realizado deslocamento imediato até a cidade para encontro com a ambulância, buscando garantir atendimento com a maior urgência possível.
Manifestação do Abrigo Transitório Amor Perfeito
O abrigo Transitório Amor Perfeito divulgou nota oficial após a morte de uma criança, de 3 anos, vítima de afogamento em um balneário particular no interior de Agudo.
Em comunicado, a direção, equipe técnica e colaboradoras da entidade afirmaram estar em “profunda consternação” diante do ocorrido. Segundo a nota, o fato aconteceu durante uma excursão da qual participavam crianças acolhidas e monitoradas pela instituição.
O abrigo destacou que o incidente é inusitado em seus 16 anos de funcionamento. A entidade presta acolhimento a crianças e adolescentes em apoio ao Poder Judiciário.
Ainda conforme o texto, houve socorro imediato no local, seguido de atendimento pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhamento ao Hospital de Agudo. Apesar das tentativas de reanimação, a criança não resistiu.
A instituição informou que acompanha as providências iniciais da autoridade policial e garantiu que dará todo o suporte necessário à apuração dos fatos no inquérito policial já instaurado. Também afirmou que está oferecendo apoio aos profissionais, familiares da vítima e demais envolvidos. O abrigo reforçou que a identidade da criança está sendo preservada e que não autoriza a divulgação de fotografias.